
Essa é uma tentativa oportunista de focar e intensificar a teoria acerca das representações grotescas e seus (benéficos) reflexos psicológicos.
É uma tentativa oportunista de levantar testemunhos contrários a essas idéias que me parecem tão certeiras e essenciais, como se fossem componentes de alguma charada divina – do divino enquanto especulação mental -.
É uma tentativa oportunista de levantar esses pensamentos para que alguém os leve adiante, para onde eles tenham força para produzir as modificações perenes, já que eu sou um incompetente, e talvez ter essas idéias seja pretensão demais da minha parte.
É uma tentativa oportunista de se discutir um assunto de peso intelectual da forma mais despretensiosa, porque intelectual de cu é rola.
Dando bois aos nomes:
Mal Gosto é um termo provisório para designar uma segmentação ou prolongamento do grotesco. Adotei o termo calcado na significação de mal, substituindo o mau de uso comum da expressão. Se mau gosto vem em oposição ao bom gosto – apurado, requintado, adequado às exigências da moda e dos costumes[1]- indicando um deslize, ignorância ou uma incapacidade, então mal gosto seria a oposição do bem, estaria mais orientado para o maligno e perverso, indicando uma crueldade intencional.
Somos todos por natureza cruéis.
Feiúra, o contrario da beleza, vem de referencia ao livro de Umberto Eco ‘A História da Feiúra’, donde inevitavelmente colarei diversos enxertos para a saudável discussão do feio.
Grotesco poderia ser uma forma rebuscada de se dizer feiúra, mais aplicada as artes (plásticas, literatura, musica e cênicas), que costumam pedir essa pompa. Grotesco é um termo cuja significação nas artes vem sendo alterada desde o século XV, que nomeava as pinturas ornamentais antigas encontradas nas escavações da Itália. Mais tarde no século XVI ainda designava um estilo de ornamentação, mas englobando em seu significado o sogni dei pittori, que já era do conhecimento de Albretch Dürer: “mas tão logo alguém queira realizar sonhos, poderá misturar todas as criaturas umas com as outras”[2]. Na mesma época na Alemanha, a mistura do animalesco e do humano, o monstruoso vieram como as características mais importantes do grotesco. Daí em diante o grotesco se estendeu também à literatura e no século XVII onde foi aplicado com um nexo mais amplo, no Dicionário da Academia aparecia a seguinte entrada: “Il signifie fig. Ridicule, bizarre, extravagant (…)”. No século XVIII, num dicionário alemão-francês grotesco significava o mesmo que singular, desnatural, aventuroso, esquisito, engraçado, ridículo, caricatural e coisas semelhantes.[3] Hoje a significação mais ampla do grotesco é a que se dá pela oposição ao belo.